Cismou que eu preciso confiar, que preciso me abrir, que ela tem que ser única, especial, a perfeita amiga magnífica. Primeiro eu senti culpa, depois dor, e por fim senti raiva.
Raiva daquelas profundas, que grudam, ficam e eu tenho até medo de esquecer que amo de tanta raiva que sinto. Confiança não é algo que se exige com socos e pontapés. Não se coloca arma no rosto de alguém dizendo: "confia em mim". Faz-se isso para roubar seus bens, para aumentar o medo, para destruir o encantamento da amizade. Relacionar-se é aprender a dançar respeitando o ritmo do outro. Isso é amizade, é namoro, é casamento: uma dança que se aperfeiçoa com o tempo.Não é simples, ainda que seja sempre um movimento repleto de simplicidade e singeleza. É um afinar de silêncios. Gentilmente respeita-se o outro, seus olhares e escolhas. E vê-se o esboço do sorriso, da lágrima ou da gargalhada. Conhecimento.
Nesse eterno jogo de memória e esquecimento, tantas vezes apaga-se o crucial e louva-se o superficial.
Para viver é preciso tempo, para amar é preciso vida. Nenhuma das duas coisas se faz no estalo da combustão espontânea. Se retirarmos isso, o movimento fica incompleto, pelo menos comparado com uma dança verdadeira.
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