Virei-me sobre a minha própria existência e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza."
(Cecília Meireles, Noções)

domingo, 17 de outubro de 2010

Choro escrito




"Tem pena de mim
ouve só meus ais
eu não posso mais
tem pena de mim"
(Tom Jobim - Chora Coração)

As palavras se esvaziam

como em uma pausa sem sentido
um hiato descabido
um vão inesperado
como susto repentino
vazio desesperado 
para quem fica
E a saudade que preenche
faz chorar
faz sofrer
como um sussurro renitente
que me impede de viver
Pois quero mais
Queria você
E a ausência que invade fala de ti
e eu falo contigo como louca
balbuciando palavras vazias,
já ditas
na tentativa de reviver o pretérito
que brutalmente transformou-se 
e cabe a mim fazer o inquérito
questionar só para ocupar-me
chorar de novo tua morte
velar mais uma vez teu corpo
desejar um outro norte
e prosseguir. 
As palavras se esvaziam
e cabe no vão,
no hiato esburacado ,
a dor de quem chora gritando não
e de quem ora clamando "aba"
E cabe em mim tudo de si
que chora em mim a tua ausência
e em eterna paciência 
fico na janela esperando seu retorno,
nosso encontro
que perdeu-se no hiato
e no entanto, não será olvidado.

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